Ando por aí, por esse mundo imenso, de folha em folha...
Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Verdade, verdadinha.

 

O pardal fugiu. Aconteceu no sábado passado, precisamente no mesmo local onde nasceu e foi adoptado: no Alentejo.

 

Grande vôo ele efectuou. Primeiro para uma planta florida do vizinho e logo em seguida para uma pilha de lenha e depois, não sabemos... Perdemos-lhe o rasto.

 

Chamámos e piámos... Nada!

 

Passaram-se horas. Aceitei a partida. Estava eu limpando a gaiola na relva para a guardar e oiço piar ao meu lado...

 

Lá estava seu Bonifácio, esperando calmamente que eu o agarrasse.

 

Levou raspanete.

 

Mas o que ele queria mesmo era o seu potinho de água. Sôfrego a beber. Estava cego de sede e doido para comer...

 

Depois pegámos-lhe e reparámos que vinha depenado por baixo: papo e barriga ao léu. Deve ter andado a espojar-se em tudo o que apanhou...

 

Está a tomar o gosto pelas fugas... Ele anda solto e como tal...

 

Já em Lisboa e na cozinha, desapareceu. Quando preparava a máquina da roupa, lá estava o meu amigo dentro do cesto da roupa suja...

 

 

publicado por mariadoscaracois às 15:53
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Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009

Bonifácio foi a banhos em Altura, de calção às riscas com suspensórios, boné, baldinho e pá.

 

Fez-lhe bem o iodo... Cresceu e fortificou-se. 

 

Cá para mim entrou na fase da adolescência rebelde. O bico está enorme em relação à cabeça e com uma força dos diabos na respectiva bicada.  Até dói. As pernitas, altissimas: parece que tem andas, tal a desproporção relativamente ao corpo. É um pernalonga...

 

O seu edredon de naturais penas foi evoluindo: está todo coberto (o bicho não terá calor?) mas de vez em quando perde umas quantas...

 

Não gostou nada de migalhas de queques de amendoa comprados no supermercado... Na véspera tinha-se deliciado com uns restitos de pão de ló (verdadeiro) e eu pensei que gostaria de ter um agrado docinho.. Mas o pequeno gosta mesmo do que é bom e não o engano...

 

Na praia continuou a comer papa meia fervida: ora pão, ora flocos integrais de milho/aveia/trigo/centeio, ora sementes...

 

Até que um dia resolveu sair disparado pelo terraço fora... Seu papai por adopção viu tal proeza e desceu dois andares em segundos, preocupadissimo porque ele ainda voava tremendo com medos e incertezas. Procurou-o por toda a rua e debaixo dos carros estacionados. Chamou-o. Piou. Fez de tudo um pouco... Imagino... Regressou a casa e na entrada estava um garoto com seu Bonifácio fechadito na mão. Tinha-o encontrado caído à porta...

 

Pardal não é estúpido: tentou regressar às origens... ou melhor ao tacho sempre cheio...

 

A partir desse dia houve superior cuidado com portas e janelas sempre que ele andava à solta, sujando tudo com seus cócós. E eu de pano molhado com sabão na mão...

 

Começaram as grandes aulas de ginástica: pardal em cima da cabeça (como ele tremia...), pardal ao ombro (que angústia...) etc. Depois seguiam-se os vôos acrobáticos: na palma da minha mão impulsionava-o para ele ganhar firmeza nas asas...

 

A gaiola passou a ter a porta mais aberta do que fechada. O rapaz mal vê alguém colocar lá dentro um pedacinho seja do que for, marcha a 100h. para depenicar...

 

Descobrimos que menino Bonifácio odeia andar de automóvel... Por sorte alguém nos disse que tinhamos que tapar a gaiola totalmente para que não fosse visível qualquer movimento exterior. Assim fiz e dá mais resultado. Mas até lá, sofremos de agudas e insustentáveis piadelas, para além de comportamentos perfeitamente desastrados e violentos contra as grades da gaiola...

 

Durante um serão o pequeno descobriu as croques que eu tinha nos pés. Adora a textura da borracha: deve-lhe saber a chiclete. A partir desse dia passou a ser local priveligiado para muitas das suas tropelias: mete a cabecita por uma das aberturas laterais e rói-me os dedos dos pés. Eu dou pulos. Ou então senta-se no peito do pé e volta que não bica-me o tornozelo. São só mimos pardalentos...

 

Resolvi calçar umas pantufas do IKEA.  Chamou-lhes um figo... Puxa e repuxa os fios... e continua a roer-me...

 

No regresso de férias passámos na sua alentejana terra natal. Compadres alentejanos nem acreditavam que pardal estava VIVO, crescido e de óptima saúde. Olhos arregalados e espanto naquelas caras. Nunca se viu. Passou-se a ver.

 

Coloquei-o pela primeira vez em cima da relva, retirando o fundo da gaiola. Julguei que se sentiria no 7º céu, bicando o chão e as formiguitas. Mas o meu amigo odiou. Passou todo o tempo em cima do poleiro: relva? Nem vê-la.

 

Bonifácio tinha que fazer uma graça: e fugiu novamente. Desta vez fui eu que vi o percurso. Ele começa a voar com força e alguma altura mas vai perdendo balanço... E lá o encontrámos caído na vala que conduz as águas da chuva para a ribeira...

 

Ainda não estava em condições de o deixar à sua sorte e voltou connosco para Lisboa.

 

Já come tudo a seco. Sementes, miolo de pão, etc. Mas pitéu mesmo é esparguete ou aletria ou couscous mal cozido...

 

Ainda não o vi tomar banho. Nunca tomba para dentro da banheira. Bebe água e fica-se por aí...

 

Dorme mal eu cubro a gaiola e fecho a luz.

 

Habita na cozinha, gaiola aberta. E o engraçado da questão: às vezes fechamos a porta da cozinha e ele fica lá sózinho mas solto. Quando regressamos S.Exa. está zangado. Pula furiosamente na nossa direcção e agride-nos, chamando a atenção.

 

Agora, por exemplo, pia desalmadamente enquanto eu vim ao PC alinhavar estas linhas...

 

 

publicado por mariadoscaracois às 19:36
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Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

O meu Bonifácio está grande e aprendendo a voar melhor… É um menino macho, pela cor das penas. Tenho que me preparar para o dia em que ele irá abandonar este lar provisório. O pardal não é adequado a cativeiro – é livre e solto. Gostava que voltasse ao seu habitat de origem, no Alentejo.

 

Como já sabem resolvi arriscar e cuidar de um pardal quase em estado embrionário, sem penas, sem mãe e sem irmão, acompanhado de dois ovinhos que não chegaram a eclodir, sabendo que a possibilidade seria de 99% de sobrevivência. Passaram-se 3 semanas e fiquei feliz por ter resistido. Agora já tem penas e come como um leão
Perguntam-me o que lhe dou de comer. Puxei pela cabeça para chegar a uma ementa equilibrada…partindo do principio de que, em liberdade, os pardais comem sementes, cereais, insectos e larvas ou minhocas.
Ponho um pouco de carolo de milho (uma farinha grossa, amarela, que se compra em qualquer super), um pouco de couscous e um pouco de flocos de aveia ou de centeio (só os adicionei após 2 semanas). Cubro +- o dobro do volume de água. Levo ao microondas até levantar fervura. Deixo arrefecer para ver a consistência: se estiver muito grosso ou espesso adiciono água até ficar uma pasta relativamente mole que se assemelhe à massa regurgitada pela verdadeira mãe. Esta é a base da alimentação que guardo fechada no frigorifico, porque dá muita quantidade. (Nota: Um pouco = +- uma colher de chá mal medida.)
Retiro uma colher de chá de papa e adiciono meia fatia de ovo cozido picado com um garfo (gema e clara substituem as proteínas dos insectos, larvas ou minhocas). Umas vezes dou-lhe esta combinação, outras só a mistura de cereais. Se estivesse muito frio dar-lhe-ia um pouco de manteiga diluída nos cereais.
Como já está crescidinho também lhe dou bolacha Maria, bolo seco ou miolo de pão de mistura, tudo esfarelado e seco. As sementinhas próprias para pássaros ainda não são da sua predilecção… Os pardais pequenotes bebem pouca água e só hoje dei pelo jeito do meu pardal beber água sozinho. Também não toma banho como os outros passarinhos costumam fazer… Há duas noites começou a dormir no poleiro da gaiola…em vez de se esconder no pano…
Toda a comida é dada na boca até eles saberem bicar. Água em gotas. O meu já bica na palma da minha mão, gosta muito de roer as minhas unhas e conhece-me a voz. Anda muito livre pela casa… empoleirado no meu dedo ou nas grades exteriores da gaiola. Tento esticar-lhe as asas, obrigando-o a voar pequenas distâncias. Pula pelo chão e suja tudo… (quase arrisco dizer que o pardal é o único pássaro que dá pulos).  Adora festas e quantas vezes adormece na curva do meu braço ou na palma da minha mão… Ninguém acredita: mas quando vêem, pedem para fotografar, tal o espanto…
Nos primeiros dias ficava escondido no núcleo do ninho, que recolhi e acondicionei numa caixa de papelão. Piava quando tinha fome. Mais tarde substituí o ninho sujo por um bocado de pano turco velho, tentando envolvê-lo sem o asfixiar. Dormiu assim 2 semanas até que desapareceu e eu levei duas horas procurando o pardal pela casa… Encontrei-o escondido no rolo de um tapete e vivo. Nesse dia comprei uma gaiola onde o coloco quando não posso olhar por ele… e também muito útil nas viagens… Arranjei um filho pardal, que anda comigo para todo o lado…mesmo para o Algarve. É uma companhia e peras! Pia que se farta (deve enjoar de carro, digo eu…)
 
publicado por mariadoscaracois às 21:16
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Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

 

  Parece "estóriapara crianças... Já tivemos a raposa Sofia e agora preparamo-nos para o baptizado pardaleco...

 

Sábado passado, no Lavre, fomos fazer um grelhado para o almoço. 

 

Surpresa das surpresas: por cima, já na chaminé, um ninho enorme. Dois pardalitos, com poucas penas e aos pios, e um ovinho ainda por eclodir. Um deles estava em estado de maior desenvolvimento.

 

Tivémos que tirar o ninho com cautela e comecei a alimentar os pardais com açorda de pão alentejano e água. Os bicos abertos era de uma enorme ternura... A natureza é assim... (e eu sem máquina para fotografar...)

 

Voltámos a colocar o ninho dentro do barbeque. Domingo reparámos que a mãe os tinha rejeitado por ter sido movido o ninho, embora tivesse sido colocado no mesmo local. Soube que é sempre assim, quando alguém mexe nos ninhos. E um dos pardalitos desapareceu: procurámos tudo e nada. Deve ter tido força para voar.

 

Voltámos a Lisboa com uma caixa e o núcleo do ninho recheado com o pardalito sobrevivente. Dou-lhe açorda e sementes de trigo sarraceno, que tinha cá em casa. É o come e dorme. Agora está a chamar por mim. Quer mais papa...

 

Ando na pesquisa, para saber o que comem... Se sobreviver, no próximo fim de semana levo-o de volta para o Alentejo, sua terra natal...

 

Mas onde arranjo eu minhocas e insectos?

 

Agora está chamando por mim... aos pios e arrepios!!!

 

Mas é lindo o bicharoco!!!

 


 

 
NOTAS:
 
- 24 de Junho, 4ª feira de S. João, o pardal Bonifácio ainda sobrevive. Nesta momento pia e repia por mim.... Agora dou-lhe papas de milho...
 
Baptizei-o ontem.

Vamos ver no que dá... mas já ensaia voar... caminhando pelas palhas acima... Se chegar ao fds com vitalidade para voar, capacidade para bicar sozinho, deixo-o livre em cima de um galho, lá no Lavre.
 
- 26.Junho - o pardal Bonifácio continua respirando... e já trepa pelas palhas do ninho. Penas ainda incompletas.

Hoje o menú são papinhas de carolo de milho com farelos... porque ele não apreciou muito as de aveia integral...
 
- 28 de Junho - O Bonifácio cresceu mesmo. Voltou á terra Natal e comeu formigas que andei a caçar, juntamente com as papinhas de pão alentejano.

Não sei se foram as proteínas animais que lhe deram um vigor acrescido. Agora tem cama mais ampla, forrada com uma toalha velha e com o ninho ao canto. Salta e pula para a beira do caixote, depois para o chão. É uma alegria.

- 29 de Junho - O Bonifácio fez o seu primeiro e titubeante vôo, a partir do poleiro do caixote. Não subiu mais do que 30cm de altura e aterrou trôpego um metro à frente...

Ainda não come sozinho. Tem dieta melhorada, que adora: ovo cozido picado. Que delícia, diz-me piando... 
 
- 30 de Junho - de manhã o Bonifácio tinha desaparecido do caixote. Não se ouvia um pio. Andei 2 horas revirando a casa e convencida de que tinha morrido em qualquer canto. Até que o encontrei escondido no rolo de um velho tapete que espera uma lavagem à mangueira...
 
Nesse dia comprei-lhe uma gaiola. Está muitas vezes cá fora, mas dorme fechado.
 
- 1 de Julho - comeu pela 1ª vez bicando na mão do dono... Dormiu na gaiola sem as palhas mas reclamou... Anda cheio de comichão e debica as penas ferozmente... Já está cobertinho de belas penas...
Não gosta de tomar banho: coloquei-lhe uma piscina passaral mas ele não se comoveu... e não se lavou...
 
- 2 de Julho - já debica "comida exótica para passarecos com bolacha"... mas ainda prefere as papas de milho com farelos e ovo cozido...
 
Agora dou-lhe aulas de vôo. Coloco-o empoleirado no telhadito da gaiola e sento-me mais longe, chamando-o... Ele lá vem em vôo gingado..., impreciso... e põe a funcionar o trem de aterragem mal vê a palma da minha mão...
 
Eu luto pelo pardal.

 
 
OBS:

in

http://bicharada.net/animais/animais.php?aid=121

Nome científico: Passer domesticus

Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Passeri
Família: Passeridae
Género: Passer

Origem
O pardal é a ave mais fácil de observar em Portugal e também no resto da Península Ibérica. Pode ser encontrado noutros países da Europa, mas aí a concorrência com outras aves, como o tordo, não lhes confere tanto protagonismo.

Apesar de ter origem na Europa, hoje existem pardais em todos os cantos do mundo levados pela mão humana, numa altura em que ninguém se preocupava com o que poderia acontecer com aves invasoras, ou mesmo com outras espécies.

As vilas e cidades, onde se adaptaram como nenhuma outra, são o habitat preferido destas aves, apesar de poderem ser encontrados também no campo, em grande abundância.

Alimentação
As migalhas, insectos e minhocas são a base da sua alimentação, e os núcleos habitacionais proporcionam todo esse alimento. As chaminés e os beirais das casas proporcionam locais ideais para a sua reprodução, que acontece na Primavera.

Hábitos
Nas zonas densamente arborizadas, podemos encontrar numerosos bandos destes barulhentos animais, que alegram os fins de tarde, voando de árvore em árvore até ao anoitecer.

Dimorfismo sexual
É muito fácil distinguir o macho da fêmea. O macho, tem a cabeça e parte das asas castanhas escuras, sendo o resto do corpo de um tom pardo, acastanhado, ao passo que a fêmea apresenta em todo o corpo uma coloração uniforme, de cor castanho esverdeada.

Ao contrário do que se pode pensar, estas aves são extremamente frágeis e todos os anos o número de aves mortas durante o Inverno é muito grande. No entanto, a sua facilidade em reproduzir-se faz com que esse factor perca alguma importância. Em algumas zonas mais frias, é frequente os habitantes colocarem pequenos reservatórios com manteiga, onde os pardais vão buscar parte da sua gordura corporal para combater o frio intenso.
Os pardais podem medir até 15 cm

 

PARDAL-Tempo de vida(de 15 a 20 anos)
NOME COMUM: Pardal
NOME EM INGLÊS: House Sparrow
NOME EM ITALIANO: Passero
NOME EM FRANCÊS: Moineau domestique
NOME EM ESPANHOL: Gorrión común
NOME EM ALEMÃO: Haussperling
NOME EM ESPANHOL:
NOME CIENTÍFICO: Passer domesticus

 

publicado por mariadoscaracois às 12:06
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