Ando por aí, por esse mundo imenso, de folha em folha...
Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Uma linda menina, loira, olhos verdes, 1,80m. de altura, radiosa nos 
seus 17 anos, boa aluna, aspecto ultra saudável, a quem uma doença 
inesperada do foro genético obrigou a uma operação radical, tal a 
gravidade do diagnóstico. Foi muito difícil explicar-lhe, no 
esplendor da sua idade, uma esterilidade tão precoce.

Quis o destino que ela conhecesse um rapaz, médico, com quem casou 
aos 22 anos. Ele sempre soube da sua "estória" de vida. Quatro anos 
após o enlace resolveram candidatar-se a uma dupla adopção: deram 
preferência a irmãos/ãs em que o/a mais novo/a tivesse até 2 anos de 
idade.

O processo foi longo e penosa a espera. Toda a família esteve 
envolvida e com igual ansiedade esperava... E eis senão quando, às 
16h. de um vulgar dia de semana, se recebeu um telefonema para que, 
no dia imediato, às 12h. se estivesse em determinado local oficial 
para recolher uns gémeos, com 28 dias de existência na incubadora...

Foi um parto de 20 horas, em que todos tiveram dores e se viraram do 
avesso: foi um enxoval apressado, foram lágrimas de alegria, foi uma 
noite sem sono, foi a "adivinhação" do cheiro e dos traços, foi o 
trabalho profissional interrompido, foi uma angústia do dia seguinte 
que não mais chegava... foi... foi...

E às 11,45h. do dia marcado lá estavam três pessoas: um casal de 
pais e uma avó com a experiência prática de ter sido mãe. Quando por 
fim os dois bebés entraram na sala em que se aguardava, a 
mãe "paralisou e estarreceu" de felicidade. A avó arrancou o 
primeiro bebé dos braços que o transportavam e o pai agarrou o 
segundo com unhas e dentes. Cabiam no antebraço. Tinham 
respectivamente 1,700kg e 1,800kg. Os três só queriam mudar-lhes a 
roupinha a 500km à hora e fugir até casa com eles colados ao peito. 
Não há descrição escrita possível para a emoção desse momento. 

Talvez só um pequeno detalhe dê uma ideia muito longínqua do 
turbilhão emocional que se viveu: as duas máquinas fotográficas que 
se levaram, disparadas sem rei nem roque, afinal não tinham rolo... 
só flash… Creio que se tivessem rolo as fotos estariam focadas nos 
tectos, paredes, sapatos, enfim em tudo menos no objectivo.

Nunca existiram os preconceitos do tipo sanguíneo e da memória 
celular. Ninguém se lembrou deles, pura e simplesmente. Sem dúvida, 
querer um filho é muito mais forte do que ter um filho. 
Também ninguém se arrependeu e faria tudo novamente. Até tentaram… a rapariga…

E estes gémeos cresceram com boas raízes, tronco robusto, saudáveis 
galhos e folhas viçosas. Têm hoje 13 anos. São brilhantes alunos, 
embora do mais irrequieto que se possa pensar. São amados até ao limite e sempre em pé de 
igualdade por toda a família, avós, tios/as, primas. Com o avançar da idade e porque são dizigóticos, 
começaram a distinguir-se em tudo. E não é que um é parecido com o 
pai (até quer ser médico) e o outro tem sinais físicos da mãe? É o 
tal mimetismo…

Eu acredito, do fundo da minha alma, que os seres humanos mais interessantes são diferentes... 


publicado por mariadoscaracois às 15:58
sinto-me: vóvó
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