Ando por aí, por esse mundo imenso, de folha em folha...
Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Foi no dia 4 de Março de 2001, que aconteceu o maior acidente rodoviário registado até então em Portugal.  O colapso da ponte de Entre-os-Rios matou os 59 ocupantes de um autocarro e de três automóveis ligeiros que passavam no tabuleiro na altura do acidente. Já fez 8 anos que tal aconteceu.

 

As pontes antigas estão semeadas por este país. Fiscalização, onde estás que não te vejo? - murmuram as populações... 

 

Foram cinco os mortos provocados pela derrocada de uma falésia no dia 21 de Agosto de 2009, na praia Maria Luísa, no Algarve.

 

O Algarve e não só, está cheio de falésias "aguenta-te que não caias"... Mas as Câmaras, o Turismo, os Governos, os patos bravos e todos os outros "Sebastiões comem tudo, comem tudo", insistem, insistem e constróem, constróem , movem e removem superfícies e terras etc. etc. Desordenadamente! Tudo é aprovado! Nem que seja um projecto de galinheiro na cabeça de um tinhoso. Nada é fiscalizado. A corrupção impera. O lucro é preciso!

 

Os fins justificam os meios, é o lema geral. A culpa morre sempre solteira! Para provar este estado civil de solteira pagamos todos os inquéritos com esse objectivo (e mais nenhum).

 

E nós votamos nisso! Somos culpados! Todos!

 

Que tristeza!

 

 

publicado por mariadoscaracois às 14:55
sinto-me: tola
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Terça-feira, 25 de Agosto de 2009

Hoje ouvi na TV a seguinte afirmação:

 

"A melhor inveja é a que se converte em ambição"

 

No contexto da conversa em que foi proferida o seu sentido era positivo. Fiquei intrigada... Será?  Aceitam-se sugestões, minhas amigas...

 

Vejamos os sinónimos na Wikipédia: 

 

Inveja é o desejo por atributos, posses, status, habilidades de outra pessoa gerando um sentimento tão grande de egocentrismo que renegue as virtudes alheias, somente acentuando os defeitos. Não é necessariamente associada a um objecto: sua característica mais típica é a comparação desfavorável do status de uma pessoa em relação a outra.

...

Entretanto, a inveja não é uma característica intrínseca do gênero humano ela é fruto do egoísmo, em uma sociedade concorrencial.

...  ...

Numa outra perspectiva, a inveja também pode ser definida como uma vontade frustrada de possuir os atributos ou qualidades de um outro ser, pois aquele que deseja tais virtudes é incapaz de alcançá-la, seja pela incompetência e limitação física, seja pela intelectual.

 

Ambição é um desejo ganancioso específico que a pessoa ambiciosa tem por algo grande e planeja conquistar.

_______________________________________________

 

Para mim a inveja é um sentimento sempre negativo enquanto desejo egocêntrico e frustrado por qualquer coisa.

 

Por outro lado ambição é um sentimento com vários pesos e medidas. Pouca ambição é mau, QB de ambição é óptimo, mas acima deste limite qual é a deadline aceitável? Como pode aquela afirmação ter um sentido totalmente positivo?

 

Hoje não consigo pensar mais nada...

 

 

 

publicado por mariadoscaracois às 17:25
sinto-me: indecisa
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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

 

A VIA VERDE destinou-se a tornar mais prática a vida dos automobilistas. Na teoria oferecia maior rapidez e conveniência a quem conduzisse e a quem não teria tempo a perder nas portagens das auto-estradas e pontes.
Para isso o utente adquiria (actualmente já se aluga) o equipamento electrónico (nada barato, diga-se), instalava no veículo, fazia um contrato de adesão, fornecia documentos comprovativos, etc.
O pagamento das portagens é sempre efectuado por via electrónica e vai directo à conta associada ao cartão multibanco.
Pelos argumentos da Via Verde Portugal/Brisa - Auto-estradas de Portugal, as vantagens estão só do lado dos automobilistas… Mas também eles, utentes, têm direitos. E a Via Verde Portugal/Brisa - Auto-estradas de Portugal tem deveres. E responsabilidades! Ou não?
Acontece que nas portagens, designadamente na Ponte V. Gama, há mais do que uma passagem da via verde, sem qualquer utilidade. Está fechada e logo a seguinte acumula tráfego…
Pergunto porquê. Não é necessário qualquer funcionário no guichet… É tudo electrónico… Estão a poupar em quê?
Ora se tenho um contrato e tenho dispositivo, qual a razão que a Via Verde Portugal/Brisa - Auto-estradas de Portugal apresenta para não ter as passagens devidamente abertas? Onde está o dever da Via Verde Portugal/Brisa - Auto-estradas de Portugal e o direito do automobilista?
Não será uma responsabilidade da Via Verde Portugal/Brisa - Auto-estradas de Portugal sinalizar à distância os corredores que dão acesso à via verde aberta? Verifico inúmeras vezes que os automobilistas se encaminham para corredores que possuem na cobertura das portagens o símbolo da via verde, único visível à distância e depois andam aos ziguezagues para se enfileirarem na bicha do lado… por estar fechado aquele corredor.
Já nos habituámos a ser mal servidos?
Eu reclamo e aguardo que a Via Verde Portugal/Brisa - Auto-estradas de Portugal me responda a esta questão de forma clara! 
Já agora, forma clara significa precisa, sucinta e directa. E não uma explicação em redondo! Dessas estou cheia!
publicado por mariadoscaracois às 17:26
sinto-me: enganada
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Verdade, verdadinha.

 

O pardal fugiu. Aconteceu no sábado passado, precisamente no mesmo local onde nasceu e foi adoptado: no Alentejo.

 

Grande vôo ele efectuou. Primeiro para uma planta florida do vizinho e logo em seguida para uma pilha de lenha e depois, não sabemos... Perdemos-lhe o rasto.

 

Chamámos e piámos... Nada!

 

Passaram-se horas. Aceitei a partida. Estava eu limpando a gaiola na relva para a guardar e oiço piar ao meu lado...

 

Lá estava seu Bonifácio, esperando calmamente que eu o agarrasse.

 

Levou raspanete.

 

Mas o que ele queria mesmo era o seu potinho de água. Sôfrego a beber. Estava cego de sede e doido para comer...

 

Depois pegámos-lhe e reparámos que vinha depenado por baixo: papo e barriga ao léu. Deve ter andado a espojar-se em tudo o que apanhou...

 

Está a tomar o gosto pelas fugas... Ele anda solto e como tal...

 

Já em Lisboa e na cozinha, desapareceu. Quando preparava a máquina da roupa, lá estava o meu amigo dentro do cesto da roupa suja...

 

 

publicado por mariadoscaracois às 15:53
sinto-me: pardala mamã
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A Roxa colocou no seu blog um simples “post”:
“Os amigos são únicos,
vivem no nosso coração embalados pela nossa respiração,
não os procuramos em anúncios mas na vida partilhada.
Os amigos sobrevivem ao tempo na certeza da continuação.”
Fiquei a reflectir sobre o conceito e significado de AMIGO. A uma conclusão básica cheguei de imediato: nada tem a ver com a vulgaridade com que meio mundo utiliza o termo. 
Isso de chamar amigo a uma pessoa que por mero acaso cruzou o nosso trilho numa determinada situação, trocou palavras de circunstância, sorriu, comeu e bebeu, foi educado, tinha bom aspecto, conversou sobre banalidades ou não, fixou o nosso nome, guardou números de telefone, posteriormente esteve presente em mais um, dois ou três novos encontros, foi útil, etc. é muito curto para cimentar e fundamentar o alicerce de amigo. A vida ensina quão fugaz é esse tipo de “cola”…
Os amigos/as são a família que EU escolhi. Prezo-a, cuido-a e dou-lhe alimento. Tenho uma fé inabalável em cada um destes membros adoptivos.
Conto com ALGUMA família muito próxima, que são IRMÃS viventes no meu coração, na minha lembrança diária, nos apelos, na troca, na reciprocidade, na ajuda, na sobrevivência, no companheirismo, no entendimento, na solidariedade, na verdade, no carinho, na partilha, nas comemorações, nas contas do banco, na divisão do euromilhões, no tempo e na distância, no humor e na boca brilhante da gargalhada, na lágrima fria e cinzenta da tristeza, nas rugas e nas fotografias antigas que tanto gozo nos dão...
Os amigos acontecem enquanto planeamos o futuro!
Quando alguma apanha o combóio e parte fica um buraco: fundo, vazio, diferente, escuro e gasosamente pesado.
Foi!
Tive dissabores? Claro que sim, aconteceu-me uma vez e ferozmente. E neste caso,
Fui!
publicado por mariadoscaracois às 14:54
sinto-me: amiga
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Terça-feira, 18 de Agosto de 2009

Haverá feed-back???

 

Acho este humano mundo q.b. de indolente mental e fisicamente preguiçoso... Ora...

 

Proponho que quem quiser faça um texto/ensaio de uma página (tipo A4) sobre o seguinte tema:

 

O NADA!!!!!

 

Dá que pensar, não é???? Experimentem... Atirem ao alvo... Reflictam... Escrevam. OK?

publicado por mariadoscaracois às 11:23
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Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009

Nesta famelga e nos amigos próximos, reinam os leões e as leoas... Claro que não são os da Metro Goldwyn Mayer... São sim os que merecem parabéns. Tantos nascimentos em Agosto... Porquê? Será a força do calor?

 

JULHO

 

- Começaria pelo meu irmão Manecas, se cá estivesse neste dia 1. Partiu de vez com 21 anos.

 

- No dia 2 seria o meu sogro balançando a sua bela cabeleira branca, parecida com a do Cunhal.

 

- a 13 a minha grande companheira e amiga Lily Flores: todas as flores para ela - as que se comem, as que cheiram bem, as coloridas, etc. Se o ramalhete trouxer um talão do euromilhões premiado, maravilha! Porquê? Já não terá que andar a catar o caruncho das madeiras de sua casa... Invertem-se as posições:  o "caruncho" é que andará atrás dela a pedinchar... Não a conheça eu... Vai levar com um "bequine" colorido e torcido...

 

- Paulinha no dia 27: estava de partida para o sul, com a sua cadelinha velha e doente. Ainda tenho em casa a sua lembrancinha. 

 

- o Mr. G; 31 brilhantes sóis.  Que Deus o proteja, lhe apareça a pequenota adequada (...), trabalho q.b., saúde bastante, menos soninho, etc. Porque cafofo já tem, no páteo do Carrasco onde foi filmado o Páteo das Cantigas.

 

- Neste rol a Senhora Professora Doutora Manú. Penso que estaria lá para os lados de Abrantes, mergulhando na piscina azul forte... Merece condecoração pelo PR.

 

Agosto

 

- Dra. Cris P. foi no dia 2 de Agosto: nem me respondeu aos meus expressos desejos e escritos parabéns... Ouvi dizer que paira em S. Martinho...

 

- Minha sogra estaria neste intervalinho, se viva fosse.

 

- Seguiu-se D. Nês, dia 8. Força nas canetas para aguentares o festival do sudoeste e o futuro está aí à tua frente. O curso acabado. Mamãe também não me respondeu aos expressos desejos musicais e escritos parabéns...

 

- Logo depois Titia, com post adequado.

 

- D. Guida nasceu a 12. Ficou adiado nosso encontro para os próximos dias, em lanche comemorativo, apesar do post a assinalar a data.

 

- D. Rita PS foi a 13 que apagou velas. Mamãe também não me respondeu aos expressos desejos e escritos parabéns...

 

- Seu D. estava nos Algarves a 17, de molho como as azeitonas... Vai crescer ainda mais com os pés tão regados... O pior é que a bateria utiliza mais as mãos... Esse vai-nos ensurdecer... e deliciar ouvidos da sua época.

 

- Dia 17, nossa Cristina romena, na força da juventude de mulher já adulta. Merece tudo de bom, tantas as curvas e contracurvas que têm aparecido na sua vida.

 

- Dia 19 o Zé João apaga velas. Há anos que não sei nada deste miúdo, com quase 2 metros de altura... Foi colega de faculdade... Também não sei se acabou a licenciatura... Morava na minha esquina e dei-lhe boleia vezes sem conta... Gostava que alguém me apitasse novidades dele e lhe transmitisse os meus parabéns. Não o esqueci, apesar dos anos já passados.

 

- Estamos a 20. Hoje sou eu que estou mais crescida e tenho que baixar as bainhas... Preciso também de meias solas nos sapatos... Estivemos em bruta "cumilice e bubilice" no UAI... Eramos 13?

A + S + N + T + LF + AC + Alf + AL + P + G + L + R + F = 13

Sr. Dr. médico não foi porque estava de banco e Engª TG recebia família nortenha e respectivos animales de companhia em sua casa.

Só hoje dou pelo 13 à mesa... Como não me lembro...

Maridão ofereceu o jantar e um lindo anel de brilhantes.

 

- A 22 de Agosto D. Manucha comemorou. Com ela a Mª José dos Algarves. Não resisti a enviar-lhes o  mail...  

com o VÍDEO NOTÁVEL do jantar comemorativo dos seus futuros 120º aniversários ... deduzindo que lhes saíu o euromilhões em tempo útil...


TÍTULO - Mademoiselle MANUCHA ou M:José et son Majordome

http://www.dailymotion.com/video/x5zld2_dinner-for-one-vostfr-tres-drole_fun

 

- Dia 23, dois de atacado... São gémeos, claro... S & F, a banhos no Porto Santo... não deixaram sua vóvó repenicar-lhes um xoxo em cada bochecha. E ainda não disseram que presente pretendem...

 

- 24, dia da Chabeli.  Força e sorte nos restauros... Estava a banhos em Sezimbra...

 

- chegou o 26 e com ele o aniversário do LMA, meu vizinho e amigo em Altura, onde prepara uns quitutes e umas bubidas de se tirar o chapéu...

Ah! Ele anda sempre de chapéu e adora ser o Crocodile Dundee... Chapéus há muitos e bijoux imensos (também adora enfeitar-se...). Manga à cava e tatuagem provisória é coisa apreciada... Para ficar completo só lhe falta um téréré (fios de linha colorida enrolados nos cabelos) nos pêlos brancos...

 

- O fim do mês chegou e com ele o dia 30. É nesse dia que o Tony gosta de apagar velas e de que toda a gente lhe telefone a felicitá-lo...  Quem se esquece fica na lista... Acontece que ele esquece-se dos anos dos amigos... Faz o que eu digo e não faças o que eu faço...

 

Setembro

 

- O dia 9 é complicado para mim: dois aniversários antagónicos, um triste e o outro alegre. Minha mãe desapareceu há 30 anos e minha mana Ruth comemorou o seu belo aniversário. Quero que tudo lhe corra pelo melhor, com felicidade e alegria, sorte e prosperidade. Este ano não pude estar presente nos brindes... mas deixei representantes à altura...

 

- a 16 foi a Sra. Dra. Sobrinha, médica das dietas para as magrezas e elegâncias, que completou 30 auspiciosas primaveras. Está pensando em casório...  Talvez fosse melhor ela pensar só em namorar... porque isto de arrumar as cuecas e as meias na gaveta da cómoda de casa... não dá muito pr'o pitróleo... É preferivel ele chegar, subir, dizer que ela está linda e cheirosa, etc. e tal...

 

- 20 foi um dia quente: almoçamos no Paparrucha para festejar o aniversário de nosso amigo Ricardo! Crescido que ele está. Medrou!

 

- É no dia 26 que fecho este post com os 3 aninhos do Salvador. Belo dia, na sua bicicleta, capacete, cotoveleiras e joelheiras de luxo... O bolinho com as velas foi um urso, feito pela mana Mariana.

 

E que em 2010 eu possa repetir este post!

 

Até lá ou até quando Deus quiser!

 

publicado por mariadoscaracois às 18:03
sinto-me: contente


Foi no passado dia 7 de Agosto que nossa TITIA fez 85 anos. Valente!

 

Ficou assim chamada de Titia a partir das primeiras palavras ensaiadas pelo meu descendente mais novo e seu sobrinho neto, agora com 31 primaveras... Resumindo: Tia Feliciana foi rebaptizada à 29 anos aproximadamente e ficou curtamente e ternamente a nossaTitia... à séria!

 

Esta TITIA tem história que merece relevo, lá isso tem.

 

Titia é a mais nova de 3 irmãs e era solteira quando seu pai morreu. Por esse motivo ficou a residir num casarão da Av. 5 de Outº em Lisboa. Tirou um curso de auxiliar de enfermagem e trabalhou toda a sua vida na Sª Casa da Misericóridia embora grande parte em funções administrativas. Casou, teve um filho hoje arquitecto e seu marido resolveu descasar-se. Passou um mau bocado nesta fase. Não foi fácil até porque ela já não era nenhuma cachopa. Mas aguentou firme.

 

Quando se reformou tomou a decisão de escolher e inscrever-se num lar que lhe merecesse confiança. Visitou vários. Ponderou. Acima de tudo não queria ficar a tiracolo de seu filho entretanto casado e com dois rebentos.

 

Ela sempre foi lampeira no andar, curiosa, nada medricas e óptima dona de casa, como era apanágio da sua época. Sem ter que dar satisfações a ninguém passeou-se, viajou o que pôde e os parcos dinheiros lhe permitiram, dedicou-se à pintura, frequentou outras aulas, leu, foi ao cinema, conviveu com amigas e família, etc.

 

A vaga no lar ocorreu 10 anos depois da reforma. Ainda ela estava fresca e airosa. Mudou-se de arcas e bagagens, mantendo a sua casa, que diariamente visitava.

 

O casarão foi entretanto negociado com o senhorio e ela no lar continua.

 

Teve um grave achaque do coração e passou a ser mais receosa de cair. Mas continua com o espírito ágil de gazela já muito adulta e muito conhecedora da vida.

 

No dia dos seus 85 anos telefonei-lhe perto do meio dia porque sei que ela gosta de preparar a sua toilete matinal com toda a calma. Pensava desafiá-la para ir a uma matiné, ver A Proposta. Qual não fo o meu espanto quando ela me replica, um pouca sêcamente, que estava no centro comercial do Monumental, sentada num restaurante onde pretendia almoçar dali a pouco, sózinha. Havia tido vários convites mas recusou-os.

 

A minha mioleira trabalhou a correr: alguma coisa tinha desgostado a Titia neste seu dia. Mas o quê? Dei a volta à conversa para chegar a esse enigma. E cheguei. Não interessa para a história o que era.

 

Com riso e soltura lá lhe disse que iria ter com ela ao Résidence, onde daríamos umas boas gargalhadas ao assistirmos, em conjunto, ao filme das 16,30h. (eu havia consultado o site do cinema.sapo). Aceitou com alguma reserva...

 

Encontrámo-nos como o combinado. Lá estava Titia sentada no hall, com a Visão debaixo dos olhos... Deitei-lhe os foguetes que merecia uma aniversariante tão crescida... Ela descontraíu um pouco e como ainda era cedo, fomos ver umas montras e coscuvilhar a Musgo. Depois preparei-me para ir comprar os bilhetes. Levei-a a tiracolo e ao passarmos no recinto das comilices, apeteceu-lhe lanchar um crepe... Obrigou-me a comer outro igual. Deixei-a sentadinha e fui à bilheteira.

 

Espanto dos espantos: o filme tinha saído na véspera e o site não havia sido actualizado. Olhei o cartaz e pareceram-me as restantes películas piores que o susto, o que não seria aconselhável para o festejo do dia. Após conferência com a menina vendedora, ela sugeriu-me Duplo Amor. Deu-me a sinopse do filme: do mal o menos..., apesar de só começar às 17,30h.

 

Voltei ao crepe e à Titia. Comuniquei-lhe a mudança de planos. Mostrou receio pela hora tardia a que acabaria a fita... Mas aceitou e nesse momento já se encontrava bem disposta, a Titia de sempre. Arrancá-la da cadeira foi tarefa duradoura... Estava apreciando a água a cair e o ambiente fresco enquanto ainda mordiscava o crepe, sêco como palha (é verdade, não prestam para nada...).

 

Instalámo-nos no cinema, já com os documentários começados e depois de escolha prolongada dos assentos...

 

Dizia-me ela, alto e bom som: sabe, eu tenho dificuldades com a vista apesar dos óculos... Choro muito, estou sempre a lacrimejar...

 

Respondi-lhe: Titia, mais baixinho... As pessoas não gostam de ser perturbadas... Irritam-se sem necessidade...

 

Retorquiu: não, tenho que escolher bem as cadeiras... E ainda tenho que poisar a bengala...

 

Bom, acabámos por fim sentadas.

 

Começou o filme. Tratava do seguinte drama, com  Isabella Rossellini e Gwyneth Paltrow;

"  Leonard é um homem atraente mas perturbado que regressa à casa de infância após uma tentativa de suicídio. Enquanto recupera, sob o olhar atento dos seus pais, ele conhece, quase ao mesmo tempo, duas mulheres: Michelle, uma bela e misteriosa vizinha – exótica e por isso meio deslocada no bairro de Brighton Beach; Sandra, a encantadora e atenciosa filha do empresário suburbano que vai comprar o negócio da família de Leonard. Numa primeira fase, não resistindo à sensualidade de Sandra (e à pressão da família), Leonard descobre, gradualmente, uma oculta intensidade emocional nesta mulher. Quando Michellle parece estar condenada a apaixonar-se por Leonard e a família de Leonard o pressiona a comprometer-se com Sandra, ele vê-se forçado a tomar uma decisão impossível entre a impetuosidade do desejo, arriscando-se a cair na obscuridade que quase o matou, ou o conforto do amor.   "

 

Quando o herói resolve pedir a Michelle que fujam juntos (levando escondido no bolso um anel) e ela lhe comunica que ficará com o seu anterior amor, ele vai até à beira da praia e lança a caixinha com o anel pelo areal.

 

Nessa altura Titia, que desde o começo tinha proferido em tom coloquial alguns àpartes sobre o enredo, sai-se com esta:

 

- Que peninha, bem podias dar-me o anel hoje, que faço anos...

 

Vejo cabeças (felizmente poucas...) rodarem nos assentos... Peço-lhe mais uma vez para reter os comentários e dúvidas pois logo a seguir ao filme os discutiriamos... Em vão... Estava feliz! Dava largas ao seu pensamento...

 

Ora bolas, se o objectivo era fazê-la feliz, que se lixasse o mexilhão... E parei de a atormentar.

 

Terminada a matiné, de que gostou, encaminhámo-nos para a esquina da rua onde seríamos repescadas por meu marido e seu sobrinho.

 

Após trocas de parabéns vamos parar ao Stop do Bairro, em Cº de Ourique. Pelo caminho Titia comenta que há muito tempo não lhe atravessava o estreito um belíssimo arroz de cabidela...

 

Respondi: tem piada, no Stop há um determinado dia da semana em que o fazem como prato do dia. Por sinal muito apetitoso...

 

Chegámos e como sempre estava superlotado. Quando nos sentámos perguntei pelo dia do dito arroz por descargo de consciência. E não é que havíamos acertado na mouche?

 

Então venha ele, para os três... Vinho tinto também... Delicioso queijinho de ovelha e bom pão... Azeitonas e afins...

 

Todos comemos e bebemos melhor ainda... No final uma torta de laranja para fazer as vezes de bolo de aniversário... Cantámos baixinho. Titia riu e acompanhou a músiquinha... Conversou. Mostrou a sua surpresa por ter passado um dia de anos de forma tão feliz e apetitosa... Não estava a contar com isso, disse entre dentes.

 

Veio à baila a história da sua família. Rapidamente escrevo na toalha da mesa alguns apontamentos de nomes e respectivos laços de parentesco que meu marido e filhos desconheciam. Há que guardar as recordações daquele lado, já que Titia é a última sobrevivente da sua geração.

 

A caminho do lar, passava da meia noite, Titia solta a sua verve:

 

- Agora é que estava na hora de irmos para a night. Estou mesmo bem disposta. Não me apetece nada a cama...

 

No carro, gargalhada geral.  E continua:

 

- Então não é? Não concordam?

 

- Titia, amanhã é dia de trabalho. Seu sobrinho tem que se levantar cedo, não esqueça...

 

- Ah! É verdade. Têm razão. É melhor ficar no lar e deixar para outra altura...

 

Agora digam-me: a nossa Titia não é um personagem digno de nota?

 

Claro que é!

 

 

 

 

 

 

 

publicado por mariadoscaracois às 17:07
sinto-me: sobrinha

Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009

Bonifácio foi a banhos em Altura, de calção às riscas com suspensórios, boné, baldinho e pá.

 

Fez-lhe bem o iodo... Cresceu e fortificou-se. 

 

Cá para mim entrou na fase da adolescência rebelde. O bico está enorme em relação à cabeça e com uma força dos diabos na respectiva bicada.  Até dói. As pernitas, altissimas: parece que tem andas, tal a desproporção relativamente ao corpo. É um pernalonga...

 

O seu edredon de naturais penas foi evoluindo: está todo coberto (o bicho não terá calor?) mas de vez em quando perde umas quantas...

 

Não gostou nada de migalhas de queques de amendoa comprados no supermercado... Na véspera tinha-se deliciado com uns restitos de pão de ló (verdadeiro) e eu pensei que gostaria de ter um agrado docinho.. Mas o pequeno gosta mesmo do que é bom e não o engano...

 

Na praia continuou a comer papa meia fervida: ora pão, ora flocos integrais de milho/aveia/trigo/centeio, ora sementes...

 

Até que um dia resolveu sair disparado pelo terraço fora... Seu papai por adopção viu tal proeza e desceu dois andares em segundos, preocupadissimo porque ele ainda voava tremendo com medos e incertezas. Procurou-o por toda a rua e debaixo dos carros estacionados. Chamou-o. Piou. Fez de tudo um pouco... Imagino... Regressou a casa e na entrada estava um garoto com seu Bonifácio fechadito na mão. Tinha-o encontrado caído à porta...

 

Pardal não é estúpido: tentou regressar às origens... ou melhor ao tacho sempre cheio...

 

A partir desse dia houve superior cuidado com portas e janelas sempre que ele andava à solta, sujando tudo com seus cócós. E eu de pano molhado com sabão na mão...

 

Começaram as grandes aulas de ginástica: pardal em cima da cabeça (como ele tremia...), pardal ao ombro (que angústia...) etc. Depois seguiam-se os vôos acrobáticos: na palma da minha mão impulsionava-o para ele ganhar firmeza nas asas...

 

A gaiola passou a ter a porta mais aberta do que fechada. O rapaz mal vê alguém colocar lá dentro um pedacinho seja do que for, marcha a 100h. para depenicar...

 

Descobrimos que menino Bonifácio odeia andar de automóvel... Por sorte alguém nos disse que tinhamos que tapar a gaiola totalmente para que não fosse visível qualquer movimento exterior. Assim fiz e dá mais resultado. Mas até lá, sofremos de agudas e insustentáveis piadelas, para além de comportamentos perfeitamente desastrados e violentos contra as grades da gaiola...

 

Durante um serão o pequeno descobriu as croques que eu tinha nos pés. Adora a textura da borracha: deve-lhe saber a chiclete. A partir desse dia passou a ser local priveligiado para muitas das suas tropelias: mete a cabecita por uma das aberturas laterais e rói-me os dedos dos pés. Eu dou pulos. Ou então senta-se no peito do pé e volta que não bica-me o tornozelo. São só mimos pardalentos...

 

Resolvi calçar umas pantufas do IKEA.  Chamou-lhes um figo... Puxa e repuxa os fios... e continua a roer-me...

 

No regresso de férias passámos na sua alentejana terra natal. Compadres alentejanos nem acreditavam que pardal estava VIVO, crescido e de óptima saúde. Olhos arregalados e espanto naquelas caras. Nunca se viu. Passou-se a ver.

 

Coloquei-o pela primeira vez em cima da relva, retirando o fundo da gaiola. Julguei que se sentiria no 7º céu, bicando o chão e as formiguitas. Mas o meu amigo odiou. Passou todo o tempo em cima do poleiro: relva? Nem vê-la.

 

Bonifácio tinha que fazer uma graça: e fugiu novamente. Desta vez fui eu que vi o percurso. Ele começa a voar com força e alguma altura mas vai perdendo balanço... E lá o encontrámos caído na vala que conduz as águas da chuva para a ribeira...

 

Ainda não estava em condições de o deixar à sua sorte e voltou connosco para Lisboa.

 

Já come tudo a seco. Sementes, miolo de pão, etc. Mas pitéu mesmo é esparguete ou aletria ou couscous mal cozido...

 

Ainda não o vi tomar banho. Nunca tomba para dentro da banheira. Bebe água e fica-se por aí...

 

Dorme mal eu cubro a gaiola e fecho a luz.

 

Habita na cozinha, gaiola aberta. E o engraçado da questão: às vezes fechamos a porta da cozinha e ele fica lá sózinho mas solto. Quando regressamos S.Exa. está zangado. Pula furiosamente na nossa direcção e agride-nos, chamando a atenção.

 

Agora, por exemplo, pia desalmadamente enquanto eu vim ao PC alinhavar estas linhas...

 

 

publicado por mariadoscaracois às 19:36
sinto-me: pardala mamã
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Domingo, 09 de Agosto de 2009

PROMETO:

 

VOU TENTAR SER FELIZ (ACHO MESMO UMA OBRIGAÇÃO) E QUANDO FOR CASO DISSO FAZER DISCURSOS PEQUENOS E GRANDES!

 

EM SUA MEMÓRIA, RAUL.

"UM VAZIO NO TEMPO" ...
 

 


... é o título do texto que acompanhou Raul Solnado no seu funeral.  É de sua autoria e foi publicado no Correio da Manhã.  Segundo este jornal, o texto "revela uma experiência intimista, durante a Expo 89, em que o artista reflecte a sua relação com Deus" :

 

«Numa da últimas vezes que estive na Expo de Lisboa, descobri estranhamente uma pequena sala completamente despojada, apenas com meia dúzia de bancos corridos.  Nada mais tinha.  Não existia qualquer sinal religiosos e por essa razão pensei que tinha descoberto que aquele espaço se tratava de um templo grandioso.

 

Quase como um espanto, senti uma sensação que nunca sentira antes e, de repente, uma enorme vontade de rezar não sei a quê ou a quem.  Fechei os olhos, apertei as mãos, entrelacei os dedos e comecei a pensar uma emoção rara, um silêncio absoluto e tudo o que pensava só podia ser trazido por um Deus que ali deveria viver e que me ia envolvendo no meu corpo amolecido.  O meu pensamento aquietou-se naquele pasmo deslumbrante, naquela serenidade, naquela paz.

 

Quando os meus olhos se abriram, aquele meu Deus tinha desaparecido em qualquer canto que só ele conhece, um canto que nunca ninguém conheceu, e quando saí daquela porta, corri para a beira do Tejo para dar um berro de gratidão com a minha alma e sorri para o Universo.

 

Aquela vírgula no tempo, foi o mais belo minuto de silêncio que iluminou a minha vida, que me fez reencontrar, e que me deu a esperança de que num tempo que seja breve, me volte a acontecer.

 

Que esse Deus assim queira.»


Parafraseando Raul Solnado, "façam o favor de ser felizes".

 

publicado por mariadoscaracois às 22:52
sinto-me: luto
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