Ando por aí, por esse mundo imenso, de folha em folha...
Segunda-feira, 06 de Julho de 2009

Coimbra, 24 de Agosto de 1988 -

 

O telefone emude­ceu. O carteiro não toca se­quer uma vez. O vento não pára. Os remédios não reme­dei­am. A dor de cabeça não esmo­rece. O Sol esqueceu-se do ofício e meteu folga. O silêncio não se constrói nem me destrói. A música não apazigua. Os jornais gri­tam que não querem ser li­dos. A espe­rança não esperneia. O calor tem frio. O frio tem fome. A fome tem sede. A sede está farta. As ideias embran­que­ceram. As pa­lavras en­louqueceram num hospí­cio de bolor esverdeado. O livro está atravessado no útero e não pede para nascer. Os amigos estão mor­rendo. A guerra nasce das entra­nhas do ouro ne­gro. Os filhos não se deixam filhar. As filhas idem aspas, mas as­pando. A poesia vi­rou car­raça em pêlo de cadelinha. A li­teratura teve mais sorte e caiu numa pane­linha. A chuva es­queceu-se de se molhar. O corpo é um copo sem espírito de be­bida. Os olhos suici­da­ram-se. A boca caiu na li­xeira. As horas não oram. Os minu­tos não minutam nem deixam minutar a minuta de um sonho. O Sol sujou-se. O céu caiu de susto. O pe­sa­delo não se assustou. O sonho sustou-se. Os olhos cabe­ceiam de sono. As mãos pe­di­ram memória a juro porque não pagam juros de mora. As pernas colunizaram-se sobre os pés. Os pés pediram tré­guas e não sa­pateiam. A sapateia dançarilha no chão do longe. O longe é uma parte da partilha ainda es­parti­lhada. A saudade é uma Ilha rodeada de ti. A Ilha veio pernoitar em tua cama e lá se deixou noivar. Os mortos não se cansam de vi­ver nem os vivos de apo­drecer. A morte anda a cavalo nos pon­tei­ros do relógio. O relógio faz que anda, mas, no íntimo, galopa. Os dias resfol­gam nos cavalos da noite. A noite de­bate-se no cre­púsculo caído. As nuvens entupiram os caminhos da viagem. A viagem per­deu o navio e dei­xou-se fi­car no cais. O comboio não pára no apeadeiro que me coube. O bi­lhe­te que tirei tem uma data falsa. Todas as datas são falsas sobretudo as dos ani­ver­sários. Ani­ver­sariar é o modo conjuntivo desconju­gado num tempo in­definido. Conti­nuo es­perando di­ante do espelho que a minha ima­gem espe­lhada se metamor­foseie na tua para nela me aposentar. O amor não se cansa. Assim seja!
 
Cristóvão de Aguiar in “Relação de Bordo” (volume 1)

publicado por mariadoscaracois às 13:25
sinto-me: invejosa...


Caro Conterrâneo Filipe Tavares (SOS COSTA NORTE),
 
Como sabe, a Lagoa do Fogo é um dos principais locais de turismo da natureza que existe na nossa Região e é visitada anualmente por milhares de turistas nacionais e estrangeiros. Sendo um dos principais cartazes da ilha, o número de visitantes tenderá a aumentar ano após ano.
Há que preservar  a sua natureza  e o seu ecosistema e, infelizmente, já existem indícios de eutrofização das suas águas.
Estas coisas deviam ser tratadas com seriedade e imparcialidade, tendo como único objectivo a defesa intransigente dos nossos tesouros naturais, para que cheguem intactos aos que virão depois de nós.
Ora, em 1º lugar, a minha discordância em relação à petição advém do facto de ser incompreensível que um passadiço de madeira de 500 metros possa prejudicar o ambiente natural da lagoa! Tenho caminhado por parques e reservas naturais e por dunas costeiras com passadiços de madeira feitos exctamente com a mesma finalidade do da lagoa do Fogo: proteger a vegetação. Os autores da petição pensam ao contrário. Esquisito!
Claro que, se o passadiço em questão vai ser construído sem corrimão, há que corrigir este erro crasso, já que um corrimão é indispensável, quer para obstucalizar a passagem para cima do solo quer para protecção dos visitantes. Isto, sim, é criticável.
Como é posssível entrar na cabeça de alguém que caminhar pelo "caminho de cabras" já existente proteja mais a vegetação do que caminhar por um passadiço de madeira?
Haver fiscalização é outra iniciativa não prevista mas que devia ser exigida. Isto também é criticável.
Em 2º lugar, ao visitarmos o blog "SOS COSTA NORTE" é fácil descortinar que este blog, autor da petição, tresanda a laranja, perdendo assim toda a credibilidade.
Claro, as eleições autárquicas estão próximas e há que aproveitar todas as oportunidades!
Repare que sou um cidadão independente, não vinculado a qualquer partido político e tenho pena que questões tão importantes como esta sejam tratadas com tamanha leviandade.
Como pode verificar, assinei a petição contra as touradas sem qualquer comentário, concordando plenamente com a mesma.
Mas até nisto o seu blog é infeliz, chamando "cornudo" ao presidente da Cãmara da Ribeira Grande! Pior do que o Manuel Pinho!
Saudações amigáveis,
José Manuel Tavares Rebelo
Fundador e dirigente da Casa dos Açores do Norte (Porto)
Fundador e dirigente da Confraria Atlântica do Chá (Porto)
 
publicado por mariadoscaracois às 12:42
sinto-me: confusa
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REFLITAM.   O mundo esta a mudar.  Está em completa transformação.

Assista a este video sobre o futuro do islamismo (de um Mundo Islâmico)

 

publicado por mariadoscaracois às 12:15
sinto-me: assustada
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