Ando por aí, por esse mundo imenso, de folha em folha...
Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

O meu Bonifácio está grande e aprendendo a voar melhor… É um menino macho, pela cor das penas. Tenho que me preparar para o dia em que ele irá abandonar este lar provisório. O pardal não é adequado a cativeiro – é livre e solto. Gostava que voltasse ao seu habitat de origem, no Alentejo.

 

Como já sabem resolvi arriscar e cuidar de um pardal quase em estado embrionário, sem penas, sem mãe e sem irmão, acompanhado de dois ovinhos que não chegaram a eclodir, sabendo que a possibilidade seria de 99% de sobrevivência. Passaram-se 3 semanas e fiquei feliz por ter resistido. Agora já tem penas e come como um leão
Perguntam-me o que lhe dou de comer. Puxei pela cabeça para chegar a uma ementa equilibrada…partindo do principio de que, em liberdade, os pardais comem sementes, cereais, insectos e larvas ou minhocas.
Ponho um pouco de carolo de milho (uma farinha grossa, amarela, que se compra em qualquer super), um pouco de couscous e um pouco de flocos de aveia ou de centeio (só os adicionei após 2 semanas). Cubro +- o dobro do volume de água. Levo ao microondas até levantar fervura. Deixo arrefecer para ver a consistência: se estiver muito grosso ou espesso adiciono água até ficar uma pasta relativamente mole que se assemelhe à massa regurgitada pela verdadeira mãe. Esta é a base da alimentação que guardo fechada no frigorifico, porque dá muita quantidade. (Nota: Um pouco = +- uma colher de chá mal medida.)
Retiro uma colher de chá de papa e adiciono meia fatia de ovo cozido picado com um garfo (gema e clara substituem as proteínas dos insectos, larvas ou minhocas). Umas vezes dou-lhe esta combinação, outras só a mistura de cereais. Se estivesse muito frio dar-lhe-ia um pouco de manteiga diluída nos cereais.
Como já está crescidinho também lhe dou bolacha Maria, bolo seco ou miolo de pão de mistura, tudo esfarelado e seco. As sementinhas próprias para pássaros ainda não são da sua predilecção… Os pardais pequenotes bebem pouca água e só hoje dei pelo jeito do meu pardal beber água sozinho. Também não toma banho como os outros passarinhos costumam fazer… Há duas noites começou a dormir no poleiro da gaiola…em vez de se esconder no pano…
Toda a comida é dada na boca até eles saberem bicar. Água em gotas. O meu já bica na palma da minha mão, gosta muito de roer as minhas unhas e conhece-me a voz. Anda muito livre pela casa… empoleirado no meu dedo ou nas grades exteriores da gaiola. Tento esticar-lhe as asas, obrigando-o a voar pequenas distâncias. Pula pelo chão e suja tudo… (quase arrisco dizer que o pardal é o único pássaro que dá pulos).  Adora festas e quantas vezes adormece na curva do meu braço ou na palma da minha mão… Ninguém acredita: mas quando vêem, pedem para fotografar, tal o espanto…
Nos primeiros dias ficava escondido no núcleo do ninho, que recolhi e acondicionei numa caixa de papelão. Piava quando tinha fome. Mais tarde substituí o ninho sujo por um bocado de pano turco velho, tentando envolvê-lo sem o asfixiar. Dormiu assim 2 semanas até que desapareceu e eu levei duas horas procurando o pardal pela casa… Encontrei-o escondido no rolo de um tapete e vivo. Nesse dia comprei uma gaiola onde o coloco quando não posso olhar por ele… e também muito útil nas viagens… Arranjei um filho pardal, que anda comigo para todo o lado…mesmo para o Algarve. É uma companhia e peras! Pia que se farta (deve enjoar de carro, digo eu…)
 
publicado por mariadoscaracois às 21:16
sinto-me: pardala mamã
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Foi com tristeza que recebi o seguinte mail de Maria João:

"Maria obrigada pelo seu cuidado mas não tenho boas noticias. O meu pardalito acabou por não resistir e eu nem sei porquê pois já estava cá em casa há uma semana e um dia, e estava até com um ar espertinho. De repente ficou deitado de lado, agarreio-o logo e reparei que tinha as pernas encolhidas e as patinhas todas enroladas, assim como quando nós fechamos as mãos, abria e fechava o bico como se tivesse falta de ar e não segurava a cabeça. Em poucos minutos morreu na mão do meu marido sem que conseguissemos salvá-lo... Tive muita pena pois já gostava muito dele. Nós pensamos que ele já devia ter algum problema de saúde e que talvez por isso tenha caído do ninho. sempre estranhámos ele em todo o tempo que cá esteve nunca ter sequer piado uma vez. a forma que tinha de chamar para pedir comida era ficando mais inquieto e saltitante. Fiz o que consegui por ele mas não foi o suficiente pelos vistos. Desejo que corra tudo bem para o seu passarinho e que ele continue forte e saudável. Envio-lhe um filmezinho do meu para que veja como era bonitinho. Mais uma vez obrigada e boa sorte."
mariadoscaracois a 6 de Agosto de 2009 às 12:32

Olá:
Há poucos anos atrás encontrei um pardalinho, ainda muito pequenino (ainda sem penas), como era impossível procurar ninho, porque era noite, e havia um gatinho perto do pássaro, resolvi tentar a sorte e dar-lhe, pelo menos mais um dia de vida.
Não sei como, mas consegui que o pardalinho sobrevivesse.
Recorri a ração para pintainhos do dia, e água.
Tive o cuidado de não o deixar sair da casa enquanto não dominava bem as técnicas de voo, e afeiçoei-me muito a ele.
Durante o dia dormia com a minha cadela, que me ajudou a criar o passarinho, pois quando ele piava muito, eu punha-o no meio dos pêlos dela (uma Yorkshire) e ele ficava muito contente.
Por vezes, eu acordava com ele a dormir ao meu lado. Era muito brincalhão e meigo.
Incentivei-o a voar para fora de casa, onde começou a passar a maior parte do tempo, até que as vindas se fizeram cada vez mais raras e deixou de vir.
Não sei se está bem, mas espero que sim! Espero que tenha encontrado a sua cara metade, e que tenha feito a vida que qualquer mãe sonha para um filho - SER FELIZ
Isabel Barros a 29 de Junho de 2013 às 16:10



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