Ando por aí, por esse mundo imenso, de folha em folha...
Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009

Bonifácio foi a banhos em Altura, de calção às riscas com suspensórios, boné, baldinho e pá.

 

Fez-lhe bem o iodo... Cresceu e fortificou-se. 

 

Cá para mim entrou na fase da adolescência rebelde. O bico está enorme em relação à cabeça e com uma força dos diabos na respectiva bicada.  Até dói. As pernitas, altissimas: parece que tem andas, tal a desproporção relativamente ao corpo. É um pernalonga...

 

O seu edredon de naturais penas foi evoluindo: está todo coberto (o bicho não terá calor?) mas de vez em quando perde umas quantas...

 

Não gostou nada de migalhas de queques de amendoa comprados no supermercado... Na véspera tinha-se deliciado com uns restitos de pão de ló (verdadeiro) e eu pensei que gostaria de ter um agrado docinho.. Mas o pequeno gosta mesmo do que é bom e não o engano...

 

Na praia continuou a comer papa meia fervida: ora pão, ora flocos integrais de milho/aveia/trigo/centeio, ora sementes...

 

Até que um dia resolveu sair disparado pelo terraço fora... Seu papai por adopção viu tal proeza e desceu dois andares em segundos, preocupadissimo porque ele ainda voava tremendo com medos e incertezas. Procurou-o por toda a rua e debaixo dos carros estacionados. Chamou-o. Piou. Fez de tudo um pouco... Imagino... Regressou a casa e na entrada estava um garoto com seu Bonifácio fechadito na mão. Tinha-o encontrado caído à porta...

 

Pardal não é estúpido: tentou regressar às origens... ou melhor ao tacho sempre cheio...

 

A partir desse dia houve superior cuidado com portas e janelas sempre que ele andava à solta, sujando tudo com seus cócós. E eu de pano molhado com sabão na mão...

 

Começaram as grandes aulas de ginástica: pardal em cima da cabeça (como ele tremia...), pardal ao ombro (que angústia...) etc. Depois seguiam-se os vôos acrobáticos: na palma da minha mão impulsionava-o para ele ganhar firmeza nas asas...

 

A gaiola passou a ter a porta mais aberta do que fechada. O rapaz mal vê alguém colocar lá dentro um pedacinho seja do que for, marcha a 100h. para depenicar...

 

Descobrimos que menino Bonifácio odeia andar de automóvel... Por sorte alguém nos disse que tinhamos que tapar a gaiola totalmente para que não fosse visível qualquer movimento exterior. Assim fiz e dá mais resultado. Mas até lá, sofremos de agudas e insustentáveis piadelas, para além de comportamentos perfeitamente desastrados e violentos contra as grades da gaiola...

 

Durante um serão o pequeno descobriu as croques que eu tinha nos pés. Adora a textura da borracha: deve-lhe saber a chiclete. A partir desse dia passou a ser local priveligiado para muitas das suas tropelias: mete a cabecita por uma das aberturas laterais e rói-me os dedos dos pés. Eu dou pulos. Ou então senta-se no peito do pé e volta que não bica-me o tornozelo. São só mimos pardalentos...

 

Resolvi calçar umas pantufas do IKEA.  Chamou-lhes um figo... Puxa e repuxa os fios... e continua a roer-me...

 

No regresso de férias passámos na sua alentejana terra natal. Compadres alentejanos nem acreditavam que pardal estava VIVO, crescido e de óptima saúde. Olhos arregalados e espanto naquelas caras. Nunca se viu. Passou-se a ver.

 

Coloquei-o pela primeira vez em cima da relva, retirando o fundo da gaiola. Julguei que se sentiria no 7º céu, bicando o chão e as formiguitas. Mas o meu amigo odiou. Passou todo o tempo em cima do poleiro: relva? Nem vê-la.

 

Bonifácio tinha que fazer uma graça: e fugiu novamente. Desta vez fui eu que vi o percurso. Ele começa a voar com força e alguma altura mas vai perdendo balanço... E lá o encontrámos caído na vala que conduz as águas da chuva para a ribeira...

 

Ainda não estava em condições de o deixar à sua sorte e voltou connosco para Lisboa.

 

Já come tudo a seco. Sementes, miolo de pão, etc. Mas pitéu mesmo é esparguete ou aletria ou couscous mal cozido...

 

Ainda não o vi tomar banho. Nunca tomba para dentro da banheira. Bebe água e fica-se por aí...

 

Dorme mal eu cubro a gaiola e fecho a luz.

 

Habita na cozinha, gaiola aberta. E o engraçado da questão: às vezes fechamos a porta da cozinha e ele fica lá sózinho mas solto. Quando regressamos S.Exa. está zangado. Pula furiosamente na nossa direcção e agride-nos, chamando a atenção.

 

Agora, por exemplo, pia desalmadamente enquanto eu vim ao PC alinhavar estas linhas...

 

 

publicado por mariadoscaracois às 19:36
sinto-me: pardala mamã
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